RESIDÊNCIA
SAL DA BOCA
6 – 17 de outubro 2025
Partilha de processo: 17 de outubro, 19h.
SAL DA BOCA é um dos três trabalhos selecionados para o “Apoio à Criação 2025”, uma parceria entre o Forum Dança e a Casa da Dança.
Sal da Boca é um trabalho em processo que entrelaça voz, corpo, som, memória e paisagem. Concebido para ser um concerto coreográfico, o projeto propõe a evocação de experiências e geografias invisíveis, mas ainda vibrantes no corpo e na matéria. Através de uma escuta sensível e de um uso poético-político da voz, investigo como o corpo pode convocar memórias, afetos e ficções partilhadas entre territórios.
Como artista nascida na Colômbia, criada no Brasil e migrante na Europa, carrego em meu corpo uma história de deslocamentos. Em Sal da Boca, exploro a relação entre corporalidade e território, ativando um universo morfo-geológico-afetivo através da voz, do movimento e da escrita. Uma das imagens centrais do trabalho surge da frase “o sertão vai virar mar, o mar vai virar sertão” — presente no livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, e no filme O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha. Essa inversão geopoética inspira uma fabulação coreográfica entre o sertão, o litoral atlântico e desertos do sul da Europa.
A pesquisa parte da ideia de um corpo-garganta capaz de ressoar camadas de tempo e matéria, tornando-se paisagem. Ao evocar memórias sonoras e materiais, busco desenvolver uma prática que não representa, mas convoca — um gesto coreográfico que fabula territórios e desloca narrativas, propondo a elaboração de contra-cartografias sensíveis a partir de práticas coreográficas de invocação.
Gabriela Cordovez – Sou uma artista do corpo, nascida na Colômbia, criada no Brasil, com um foco particular na exploração da conexão entre a dança, a coreografia e a performance. Além disso, investigo e estudo os campos da antropologia e da arte sonora. . Meus trabalhos e investigações, que, a nível formal, são realizados no formato de obras cênicas, performances, instalações sonoras e textos, tratam da tentativa de desconstruir a noção de agência, a partir da elaboração de diferentes tecnologias de deformação e afetação do corpo. Colaborei como bailarine e performer com coreógrafos como Lia Rodrigues, Marcela Levi, Lucía Russo, Tino Sehgal, Li Ning, Yuko Caseki e Elisabete Finger. Desde 2017, desenvolvo minhas próprias obras artísticas e também colaborativas com outres artistas, BEIRA (2017), VIBRÁTIL (2018), COISANAONASCIDA (2019), NO RIO HÁ UMA CIDADE QUE NOS SEPARA ( 2020), COPRODUCITION CITYCIBORG (2021), FOGOQUEMAFOGO (2022), sempre tendo o corpo e o movimento como principais eixos, mas traçando relações com a arte sonora, as artes visuais e antropologia. Meus projetos têm recebido apoio do Instituto Goethe, Nordisk Kulturfond, Fórum Dança Lisboa, Itaú Cultural, Galerie Wedding Berlin, Lake Studios Berlin, CAMPUS PC,AADK SPAIN e Portugal, Acción Cultural Española e foram estreados em festivais e teatros em países como Brasil, Colômbia, Uruguai, Chile, Espanha, Portugal, Alemanha e China. Sou graduada no Curso Técnico de Bailarina Contemporânea na Escola Angel Vianna e tenho Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ambas no Rio de Janeiro. Em 2019, participei do programa PACAP 3 no Fórum Dança de Lisboa, e em 2022, obtive um mestrado em Artes Cênicas e Cultura Visual na Universidade Castilla de la Mancha em colaboração com o Museu Reina Sofía, em Madri.
