13 JUNHO 2026, SÁB 17H

  • Solar dos Zagallos

As filhas das mulheres que nunca foram meninas - Partilha Lab/Performance

CLÁUDIA DIAS

13 JUNHO | SÁBADO | 17:00
Local: Solar dos Zagallos
Entrada livre

 

Partilha do laboratório de investigação e criação coreográfica: As filhas das mulheres que nunca foram meninas

Neste laboratório criamos e exploramos material para o terceiro capítulo do ciclo A Coleção do Meu Pai, um projeto pensado a longo prazo — cinco peças ao longo de dez anos — a partir da biblioteca de Anselmo Dias. Partindo de Esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, trazemos o neorrealismo para o presente, deslocando o foco da infância para as mulheres. Tal como no livro, estruturado pelas estações do ano, o trabalho organiza-se a partir da ideia de passagem do tempo e das transformações que ela implica.

A passagem do tempo não é apenas biológica ou emocional, é também um processo de tomada de consciência. Crescer é ir acumulando leitura do mundo. O corpo guarda memórias íntimas, mas também marcas sociais, históricas e políticas. Cada fase da vida redefine a relação com o poder, com a linguagem, com o trabalho e com o espaço público. O que aos 20 anos pode surgir como inquietação difusa, aos 40 ganha forma de posicionamento, e mais tarde pode tornar-se clareza ou resistência.

A maturidade não implica acomodação. Pode ser, antes, um lugar de lucidez. Atravessar estas “estações” é também construir uma consciência política a partir da experiência: no confronto com desigualdades, nas escolhas feitas ou recusadas, nas perdas e nas conquistas. O corpo aprende e, ao aprender, toma posição.

Fotos: Alípio Padilha


Cláudia Dias – (Lisboa, 1972). Frequência do Mestrado em Artes Cénicas na Universidade Nova de Lisboa (2011). Coreógrafa, performer e professora. Fundadora da Sete Anos (2021) e da Companhia de Dança do Seixal (2025) onde desempenha as funções de direção artística e coreógrafa. Diretora artística do Festival Mulheres em Marcha (2025). Colaborou com a Re.Al tendo sido uma intérprete central na estratégia de criação de João Fiadeiro e no desenvolvimento, sistematização e transmissão da Técnica de Composição em Tempo Real. Nomeada para o Prémio Melhor Coreografia de 2013 e 2017 pela Sociedade Portuguesa de Autores. As suas peças foram escolhidas pela crítica especializada nacional, por diversas vezes, para figurarem entre as melhores do ano.